Paulo Freire

Paulo FreireEm 19 de setembro de 1921, numa segunda-feira, nascia em Recife (PE) Paulo Reglus Neves Freire. O pai de Paulo queria homenageá-lo com o nome Regulus, mas, por um erro do cartório, seu nome ficou sendo Reglus.

Você Sabia?
Paulo: de pequena estatura (latim)
Reglus => Regulus: pequeno rei (latim)
Freire: irmão, frei (do latim frater e posteriormente do francês frère)

“Fui albabetizado no chão do quintal de minha casa, à sombra das mangueiras, com palavras do meu mundo, não do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meu quadro-negro; gravetos, o meu giz.”

(FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 21. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1988, p.15.)

 A utilização das palavras do universo pessoal sempre esteve presente na proposta de Paulo Freire para o processo de alfabetização.

Estudante e Professor
  No Colégio Osvaldo Cruz de Recife onde estudou, Paulo Freire foi professor de Língua Portuguesa, a partir de 1941.

         “(...) Vivi um tempo intensamente dedicado a leituras (...) de gramáticos brasileiros e portugueses. Parte da parte que me cabia do que eu ganhava dedicava à compra de livros e de velhas revistas especializadas. (...). Não andava sujo, é verdade, mas andava feiamente vestido.” (FREIRE, Paulo. Cartas a Cristina. São Paulo: Paz e Terra, 1994, p. 103-4.)

Interessado na área de ciências humanas, cursou Direito na Faculdade do Recife.

Freire desistiu da profissão de advogado e aceitou o convite de um amigo para incorporar-se ao recém-criado Serviço Social da Indústria – SESI, na Divisão de Educação e Cultura, onde atuou de 1947 até 1957.

 

Educação Bancária x Educação Problematizadora

 

Na educação bancária, os alunos se tornam depositários dos conteúdos transmitidos a eles.

         “Enquanto a prática bancária, como enfatizamos, implica numa espécie de anestesia, inibindo o poder criador dos educandos, a educação problematizadora, de caráter autenticamente reflexivo, implica num constante ato de desvelamento da realidade.” (FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p.80.)

“A educação será Liberdora na medida em que incentivar a reflexão e a ação consciente e criativa das classes oprimidas em relação ao seu próprio processo de libertação.” (FREIRE, Paulo.“ Educação: o sonho possível”. In: BRANDÃo, C. R. (org). Educador: vida e morte. Rio de Janeiro: Graal, 1986, p. 20.)
 
 “ A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele.”
 
( FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 3. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1983, p.22)
 
 
Partir da leitura do mundo para a leitura da palavra?

No início da década de 1960, Paulo Freire propõe um novo método de alfabetização de adultos. Este marca uma significativa diferença em relação aos métodos anteriores para adultos, pautados em simples adaptações das cartilhas para crianças, sendo assim bastante infantilizados.

Ao invés de letras e palavras soltas, fragmentadas e descontextualizadas da vida social e da experiência pessoal dos alunos, num aprendizado mecânico do “ba-be-bi-bo-bu” ou de frases simplórias e alienantes, como “ A baba é do boi”, Freire

Sugere partir dos temas geradores, ou temas sócias colhidos do universo vocabular dos educandos, aberto à discussão coletiva nos “círculos de cultura” e aberto à análise de questões regionais e nacionais.

Por exemplo, a partir de uma imagem ampliada na parede, pelo projetor de slides, que verse sobre o tema da construção civil, o educando passa a falar da realidade do seu trabalho de pedreiro, socializando o seu saber e experiência. A discussão pode caminhar para uma ampliação desse conhecimento atual, isto é, para estudos sobre questões do trabalho e direitos do trabalhador.

A alfabetização parte do texto-contexto ou “tema gerador”. Este gera debates, pesquisa, leitura e escritas de novos textos relacionados e atividades de outras áreas do conhecimento. Do texto, são selecionadas em suas partes menores. Leitura e escritas do mundo e da palavra se sucedem.

Nesse método se fazem presentes a sincrese (visão inicial e atual do contexto) a análise (estudo, discussão e detalhamento do tema) e a síntese (visão mais ampla, aprofundada e crítica do tema).

Enquanto se alfabetizam através do exercício do diálogo dirigido de forma democrática e planificada pelo (a) educador(a), os educandos conhecem melhor o mundo e podem tomar posição frente aos problemas sociais que vão se desvendando.

ANALFABETO
 

 

Paulo Freire nos fala da posição astuta ou ingênua que omite a causalidade política e deixa de denunciar o discurso ideológico que se refere aos analfabetos como seres incapazes, indolentes e preguiçosos.

 

 

“Ninguém é analfabeto por eleição, mas como conseqüência das condições objetivas em que se encontra Em certas circunstância, o analfabeto é o homem que não necessita ler, em outras, é aquele ou aquela a quem foi negado o direito de ler.”( FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p.15)

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